Bom, foi uma situação um tanto
inusitada: o IBM 486 lá da fábrica pifou. Não todo. Só o quinto símbolo gráfico do nosso
idioma. Pois sim, justo o quinto símbolo. Do grupo das vogais, uma das mais
usadas.
Foi assim: na manhã fria no pampa
gaúcho fiz o chimarrão para logo mais digitar uma nova história no blog. Ia ao
ritmo tranquilito no más. Uma linha, uma cuia, uma linha, uma cuia.
Nisso a mão vacilou. Bati com a
palma da mão no porongo. Caiu a cuia alastrando a mistura da água com o moído
das folhas para cima do IBM 486. Tudo no quinto símbolo. Só ali. Nada afora
dali. Imagina um morro, uma montanha do Himalaia, só no minúsculo quadrado do quinto
símbolo. W,R,3,S,D,F, todas limpinhas.
No inicio o grito raivoso foi com
chimarrão tombado, mas logo intuí o futuro bagunçado. Fui logo com o aspirador
para tirar a montanha cor da grama do botão da vogal. Logo mais fui avaliar a
situação. Pá! Quando digitava o quinto símbolo nada ocorria. Tinha morrido uma
das minhas vogais.
Ia mandar arrumar, mas para
maximizar o caos, faltava o contato do cara do TI, só tinha anotado a sua
localização virtual:
Não tinha como contatar. Ia abrir
o computador para arrumar, mas logo intuí: isso foi um sinal! Foi um sinal, claro!
Mas qual? Por qual motivo o chimarrão foi cair logo ali?
Trago comigo a dúvida, mas a
partir daí minha vida mudou. Foi drástica a diminuição do vocabulário, nunca
mais comi moranga ou açafrão no almoço. Toco violão. Surfo. Só faço coisas boas.
Atingi o nirvana!!! Fora isso tudo ainda posso digitar posts com amor, paz,
carinho, sorriso, lúpulo, futuro, IPA, stout, fim, acabou, hasta la vista baby!
