22 outubro 2013

Ida a Bodebrown – A Cervejaria do Ano!


Em uma passagem por Curitiba foi a vez de conhecer a Bodebrown, merecidamente eleita a cervejaria do ano e vencedora de onze medalhas no Festival Brasileiro da Cerveja. Uma microcervejaria que dá personalidade as suas cervejas, que carrega a bandeira de Viva La Revolucion e luta por isso.

Foi uma visita rápida, com uma boa conversa com o mestre-cervejeiro, comentando sobre a fábrica e os planos de expansão para os terrenos próximos, em que se notava o brilho nos olhos e a paixão em fazer cervejas de qualidade.

O espaço atual da fábrica é bem pequeno, inclusive com alguns fermentadores ao ar livre. Ao lado da loja, que além das cervejas e souvenirs vende insumos para caseiros, há uma sala de aula, em que esta Cervejaria Escola oferece cursos sobre cerveja e dispõe de uma biblioteca com 160 títulos para consulta e empréstimo. 

A demanda deles é tanta que na loja várias cervejas estavam em falta, e saí só com Cacau Ipa e o lançamento da Tripel Monford, que por sinal é uma excelente cerveja! Foi uma pena não ter encontrado o Samuel por lá e não poder voltar a tarde para aceitar o convite do mestre cervejeiro: “olha, a tarde vou engarrafar a Perigosa, aparece para acompanhar o processo.” Ficou para uma próxima passagem pela Capital paranaense.


16 abril 2013

A arte de fazer copos - Cristal Blumenau


E aí, o copo influencia na hora de beber??? Sim! Influencia bastante no prazer em degustar uma boa cerveja! O aspecto visual já é o primeiro que nos chama a atenção. Pensa na La Trappe servida naquele copo bonito deles, com o logo, ou a Duvel, ou ainda uma weizen.... agora imagina elas servidas num de plástico, aqueles bem molenga que em geral tem que usar 2 para formar 1... faz diferença, né?  Além disso, cada estilo tem um copo mais adequado, com objetivo de realçar as principais características da cerveja. Então, já que o copo faz parte do ritual da cervejinha, nada melhor que ir conhecer como eles são feitos.

Em uma das idas para o curso de sommelier, fui conhecer a fábrica Cristal Blumenau, (http://www.cristalblumenau.com.br/)  uma empresa tradicional, fundada em 1971. Fui muito bem recebido, em que apresentaram todo processo de produção, passando pelos setores e vendo como é feito cada tipo de copo. O processo lá é bem artesanal o que de certa forma torna cada funcionário um artista. 









Com o sopro humano formavam a bolha de cristal, com auxílio de ferramenta forjavam manualmente as hastes de taças e com tesoura recortavam cuidadosamente o bocal de jarras. Tudo muito interessante, propiciando imagens belíssimas da combinação entre a transparência do cristal e o tom alaranjado do calor resultante de fornos acima de mil graus!


Depois de ficar encantado com o que vi, não havia outra coisa a fazer a não ser passar na lojinha da fábrica e adquirir mais copos para minha coleção. Um para cada estilo de cerveja, para apreciar da melhor forma as VeitBier e outras tantas maravilhas do universo cervejeiro. Tin-tin!





04 março 2013

Mosteiros Cervejeiros



A forte ligação da cerveja com a religião remonta a Idade Média, inicio do século IX, quando os mosteiros começaram a produzir cerveja como parte da dieta dos monges durante o período de jejum. Um dos princípios básicos do monasticismo é a autossuficiência, em que os monges devem orar e trabalhar para manter o mosteiro.  Vale lembrar que naquela época o fornecimento de água era deficiente e de baixa qualidade, de forma que a cerveja, fervida e fermentada, era uma bebida segura e fazia parte da alimentação de muitos europeus. Os monges cultivavam os ingredientes, fabricavam a cerveja e o excedente era oferecido aos penitentes e andarilhos. 
O primeiro registro é de 820, na Abadia de Sankt Screamed, na Suíça. Na Alemanha medieval existiam mais de 500 mosteiros-cervejarias. Com as mudanças a partir da Revolução Industrial, aumentaram as dificuldades da vida monástica, com a escassez de monges e consequente redução do número de abadias.


Cervejas Trapistas

No século XII, São Bernardo rompeu com os beneditos (São Bento de Múrsia desenvolveu as regras monásticas no século VI) e fundou a rígida Ordem dos Cistercienses Reformados de Estrita Observância, no qual os monges são obrigados a realizar trabalho manual e viver em profundo silêncio e austeridade.
No século XVII foi fundada na Normandia a abadia de Notre-Dame DeLa Trappe e seus monges ficaram conhecidos como trapistas e logo se espalharam para outras áreas no norte da França. Um século depois Napoleão expulsou os religiosos de suas terras e estes acabarem por se restabelecerem nos Países Baixos.
Os mosteiros trapistas são conhecidos por seus produtos como pães, biscoitos, queijos e cerveja, que são produzidos tanto para consumo dos monges quanto para a venda. Existem cerca de 170 mosteiros trapistas no mundo, mas apenas 8 produzem cerveja: seis na Bélgica, um na Holanda e um na Áustria (Mosteiro de Engelszell, incluído recentemente.)



Os requisitos para ser considerada trapista são:
- ser produzida dentro de um mosteiro trapista, não necessariamente pelos monges, mas com supervisão da comunidade monástica;
- aplicar o lucro em iniciativas com fins sociais.
O uso do termo é protegido, inclusive com Association Internationale Trappist criada para este fim. Há outros diversos mosteiros que produzem cerveja, mas que não são da Ordem Trapista, essas são chamadas de “cervejas de abadia”.


*** La Trappe ***

 A Abadia Onze-Lieve-Vrouw van Koningshoeven é a única que fica na Holanda, construída em 1881, perto de da cidade de Tilburg. A cervejaria tem outro nome: Trappistenbierbrouwerij De Schaapskooi, e produz cerveja desde 1884, mas somente em 2005 foi oficialmente reconhecida como trapista. 
Produz a Blond, Dubbel, Tripel e Quadrupel, com destaque para a última, com grande complexidade de sabores.




*** Chimay ***

A Abadia Notre-Dame de Scourmont, em Chimay, na Bélgica, foi fundada em 1850 e produz cerveja desde 1864 e certamente é a cerveja trapista mais conhecida em todo mundo. Perto do mosteiro a Chimay mantém uma pequena pousada, o Auberge de Poteaupré, em frente a um trecho da floresta de Ardennes. Lá é possível experimentar as maravilhosas cervejas acompanhadas dos queijos também feitos no local.
Produz a Chimay Rouge (vermelha), a original do mosteiro, no estilo Dubbel; A Chimay  Tripel; e a cerveja Chimay Bleue (azul), mais encorpada e que na garrafa de 750 ml é conhecida como Grande Reserve, em que o precioso líquido vai adquirindo novos sabores com o envelhecimento.





***  Westvleteren *** 

A cerveja Westvleteren 12 da Abadia de Saint-sixte Sixtus é considerada por muitos sites e aficionados por cerveja como a melhor do mundo. Se é a melhor depende do gosto, o que é certo é que poucos provaram. As cervejas da Abadia fundada em 1831, em Westvleteren, na Bélgica, somente são vendidas no mosteiro com reserva prévia e quantidades limitadas e não pode ser revendidas.  Ou então no In De Vrede, bar em frente ao mosteiro. 
Não espere nada moderno, nada grandioso. Os 30 monges que vivem no prédio de tijolos vermelhos não precisam de muito e vendem a cerveja apenas para manutenção do mosteiro. 
Produzem com divindade a Westvleteren Blonde, a 8 e a tão cobiçada 12. Todas armazenadas em singelas garrafinhas que nem rótulos possuem. 



***  Westmalle *** 

Considerada a mais influente das cervejarias trapistas a Abadia Trapista de Westmalle, na região de Antuérpia, produz cerveja desde 1836 e em 1920 iniciou a produção em escala comercial.
Produz a Dubbel e a Westmalle Trippel, um clássico mundial que definiu o estilo: dourada, frutada, seca e alcoólica. 



***  Achel *** 



A Abadia de Notre-Dame de Saint-Benoit Achelse Kluis, em Hamont-Achel, na Bélgica, é uma guerreira de fé! Foi fundada em 1648 e destruída 3 vezes: a primeira por Napoleão, a segunda pelos alemães na Primeira Guerra e a terceira por um incêndio em 1985. Sempre se reergueu com a ajuda de outras abadias, principalmente a Westmalle.

Produz a Achel Blond e a Achel Bruin “marrom”, produzida da mesma forma da Blond mas leva um pouco de malte caramelo.






***  Rochefort *** 





A Abadia de Notre-Dame de Saint-Rémy fica em Rochefort, na Bélgica. Fundada em 1230 como convento, foi convertida em mosteiro em 1464. A fabricação de cerveja começou em 1595, mas foi interrompida em pela Revolução Francesa, que fechou o local em 1794. Os trapistas reocuparam-na em 1887 e em 1899 construíram uma nova cervejaria. 
Produzem a Rochefort 6, 8 e 10. Os números indicam a concentração do mosto na antiga escala belga de fabricação, usada como indicador do teor alcoólico. 



***  Orval *** 


A Abadia de Notre-Dame d’Orval, na província de Luxemburgo, na Bélgica tem seu nome ligado a uma lenda: a Condessa Matilde de Toscana perdeu seu anel de ouro em um pequeno lago na região. Pôs-se a rezar com fervor as margens do lago, prometendo construir um mosteiro caso seu anel reaparecesse. Foi quando uma truta emergiu milagrosamente da água trazendo na boca o anel de ouro e a Condessa exclamou: “Vraiment, c’est ici um val d’or!” (Este é verdadeiramente um vale de ouro.). Ela honrou seu compromisso e construiu a Notre-Dame d’Orval. 
Foi fundada no século XII, consumida pelo fogo em 1252 e reconstruída em no século XVI. Na Revolução Francesa foi de novo destruída. Reerguida em 1926, passou a produzir cerveja em 1934. Produzem também pães e queijos.
Diferente das outras trapistas, a Abadia tem somente uma cerveja, fermentada por mais de 8 meses. Chamada simplesmente de Orval e tem no seu rótulo a truta segurando o anel de ouro.




Aiai, depois de ver tudo isso, fiquei com sede...